
Cooperativa usa reservas para financiar associados, ampliar armazenagem em Campo Mourão e iniciar fábricas de etanol e biodiesel, diz presidente Airton Galinari
A Coamo está ampliando o financiamento a seus associados e direcionando recursos para expansão industrial, apoiada pela capitalização acumulada ao longo das últimas décadas, informou o presidente Airton Galinari à Bloomberg Línea. A estratégia inclui obras em Campo Mourão, investimentos em armazenagem e projetos de etanol de milho e biodiesel.
Capitalização e suporte financeiro aos produtores
Segundo Galinari, a cooperativa mantém cerca de R$ 9 bilhões em conta corrente vinculada aos 33 mil associados, o que tem permitido compras de insumos com pagamento pós-colheita e linhas de suporte financeiro em um momento de margens apertadas no setor. A Coamo considera que essa reserva lhe dá capacidade de oferecer crédito e aproveitar oportunidades que surgem com dificuldades de concorrentes.
Investimentos e verticalização
Dados divulgados pela cooperativa apontam que, em 2025, a Coamo registrou receita de R$ 28,7 bilhões e sobra líquida superior a R$ 2 bilhões; o recebimento de grãos no período cresceu 19,7%, alcançando 9,6 milhões de toneladas. A partir dessa base, a empresa avança na industrialização dos grãos: prepara uma usina de etanol de milho em Campo Mourão prevista para consumir entre 600 mil e 650 mil toneladas de milho por ano, equivalente a cerca de 16% do volume que recebe dos cooperados, e constrói uma fábrica de biodiesel em Paranaguá com capacidade projetada de mil toneladas por dia.
Para ampliar a armazenagem, a cooperativa anunciou investimento total de R$ 64,2 milhões, dos quais R$ 60,5 milhões têm financiamento do BNDES. Parte desses recursos será aplicada em cinco silos em Campo Mourão, com capacidade conjunta de 32,7 mil toneladas, voltados ao abastecimento da nova indústria de etanol.
Aquisições e atuação regional
A capitalização também permitiu aquisições de ativos no mercado: em janeiro, a Coamo pagou R$ 136 milhões por quatro estruturas de armazenagem no Norte do Paraná que pertenciam a outro grupo e adquiriu uma unidade de beneficiamento de sementes em Tamarana. A cooperativa opera terminal próprio em Paranaguá e projeta novos investimentos portuários, além de manter presença em exportação e logística.
Galinari ressaltou que a cooperativa seguirá avaliando o mercado de etanol e do coproduto DDG nos primeiros anos de operação antes de decidir por ampliações adicionais, mantendo foco na integração entre fornecimento de insumos, originação, armazenagem, industrialização e comercialização.