
Em 1976 o município recebeu cerimônia nacional que lançou políticas e símbolos voltados ao combate à erosão e à formação técnica dos produtores
Em 1976 Campo Mourão foi escolhida para o lançamento do Plano Nacional de Conservação de Solos, o Pró-Solo, evento que reuniu autoridades federais, estaduais e locais, técnicos, produtores e moradores e passou a figurar como marco simbólico das políticas de preservação do solo no Brasil.
A cerimônia contou com a presença do então ministro da Agricultura, Alysson Paulinelli, do governador do Paraná Jayme Canet Júnior e do prefeito Renato Fernandes Silva. Ao longo do dia foram inauguradas instalações como a União Agricultura e Sementes, a Uniagro, e o Núcleo Regional da Secretaria de Estado da Agricultura, além de atos públicos na praça Bento Munhoz da Rocha Netto.
O lançamento do Pró-Solo foi motivado pela preocupação com a erosão que afetava áreas agrícolas, especialmente no Paraná, num momento de rápida modernização e expansão da produção rural. O programa federal tinha objetivo de difundir práticas de conservação, como curvas de nível e terraceamento, e integrar assistência técnica e crédito para evitar a perda de camada fértil do solo.
Monumento, símbolos e participação local
Na ocasião foi inaugurado o Monumento à Conservação do Solo, concebido a partir de propostas de João Osório Bueno Brzezinski e Fernando Rogério Senna Calderari e executado em aço inoxidável. A obra reuniu elementos que remetiam à curva de nível, à gota d’água e à rachadura que simboliza a degradação por erosão. Frases atribuídas a Paulinelli e ao então secretário estadual Paulo Carneiro foram colocadas como mensagem pública sobre a importância de conservar o solo.
Técnicos locais e regionais tiveram papel destacado no evento. Ricardo Accioly Calderari, então presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Campo Mourão e Região, e representantes da cooperativa Coamo participaram ativamente. A solenidade, inicialmente ao ar livre, precisou ser transferida para um armazém da Coamo devido a um forte aguaceiro, e a continuidade do ato aconteceu sobre sacas de soja, numa cena que reforçou o vínculo entre a política e o ambiente produtivo.
Cinquenta anos após o lançamento, o marco em Campo Mourão é lembrado pela combinação de iniciativa técnica, presença institucional e simbolismo artístico. O monumento permanece na paisagem da cidade e o episódio é visto como parte da trajetória que conduziu à adoção de práticas posteriores, como plantio direto, rotação de culturas e proteção permanente do solo na agricultura paranaense.